sexta-feira, 15 de junho de 2012

Capítulo Um

Todos os meus dias naquele ano se tornaram o melhor dia de todos, até os que nós dois brigávamos .
Eu me lembro , do dia no no parque , em que eu, você , meu irmão mais velho Gui , minha prima Lalá ,minhã mãe , e sua mãe , fomos ao parque.
Lalá , cujo o nome é Laís , também tinha onze anos ,era o dia do meu aniversário , dia treze de Janeiro do ano de  Dois mil . Eu estava fazendo uma decáda. Me lembro  na escola , quando a professora de matemática explicou que uma decáda eram dez anos , e disse que em Janeiro eu teria uma decáda de vida. Senti como se eu tivesse cem anos ,a palavra decáda parecia muito velha , você olhou para mim e riu da minha expressão confusa sobre a palavra decáda.
Eu Tinha um decáda. Você e Lalá tinham uma decáda e um ano. Meu irmão Gui tinha uma decáda e meia.
Eu não sabia quantas décadas nossas mães tinham , presumo que ainda não eram três.
Meu pai tinha três décadas exatas no dia em que eu fiz a minha primeira década, ele não estava lá, por quê tinha viajado a trabalho. Ele disse que meu presente chegaria no dia, mas não chegou.
Lalá era loira, já havia menstruado e por isso ganhou o apelido de mocinha, mas de mocinha ela não tinha nada. Ela morava em outro estado e alguns Janeiros ela vinha para cá, ela era má.
Fez amizade com todas as meninas que eu nunca consegui ter amizade em menos de dois segundos e ensinou aquelas meninas como me ignorar.
Na frente de todos era ela um anjo.  Conquistou Dudu da mesma forma com que conquistava todos .
Nós quatro estávamos na fila da montanha-russa e cada carrinho cabia quatro , dois no banco da frente e dois no banco de trás.
Dudu se sentou do lado de Lalá na frente , eu tive que me sentar com Gui atrás . Nunca odiei tanto uma montanha-russa na minha vida.
Eu estava com ciúmes , mas não sabia . Quando o carrinho estacionou na chegada e liberou os cintos que nos prendiam , eu corri , corri , corri , não olhei para trás. Eu tava tão brava . Me escondi no brinquedo que se chamava "Halloween" , um pequeno passeio aos medos infantis com monstros , fantasmas , zumbis , bruxas, múmias e várias outras criaturas do mau. Eu não tinha medo , era o meu brinquedo favorito.
Só que dessa vez eu não brinquei , nem prestei atenção em nada , e quando entrei ,comecei a chorar.
O passeio no brinquedo dura em torno de seis minutos, que lá dentro parecem duas horas, na saída , estavam todos me esperando, eu me recusei a descer, ainda chorando. Empurrei minha mãe e disse :
-Vão embora, todos vocês, vão embora ! -
Preocupados, todos se afastaram , eu desci do carrinho e me sentei na escada , ainda chorando , mãos e cabeça sobre os joelhos , os óculos redondos na ponta do nariz, não percebi sua presença.
- O que foi ? -
- Vá embora Dudu, eu não quero falar principalmente com você ! -
- O que eu fiz ? -
- Nada , vai embora .-
- Amanda , qual problema ? -
- Você não é mais meu amigo. -
- POR QUÊ ? -
- Agora que você conheceu a Lalá .. -
- O que que tem a Lalá ? Ela é legal ..! -
E eu explodi. Levantei a cabeça com lágrimas escorrendo por toda parte e gritei.
- Legal? Ela é má, ela puxa meu cabelo, me chama de feia , fez todas as meninas daqui não falar comigo desde o último verão que ela veio, e isso foi há dois anos trás ! Ela é mais velha, mais bonita , e sempre tem o que quer . Hoje ela quis você, e conseguiu, você só conversou com ela , sentou do lado dela no montanha-russa e não lembrou de mim . Então agora você é amigo dela, não meu. -
Eu estava bufando de raiva , me sentei na mesma posição e voltei a chorar.
- Amanda , me desculpa .. -
Silêncio.
- Amanda , por favor eu não sabia .. me desculpa , eu sou seu amigo , não dela. Eu não vou parar de falar com você , mesmo se ela pedisse .. -
Eu movimentei minha cabeça para te olhar , mas não levantei e nem parei de chorar .
- Desculpa por ter ficado mais com ela do que com você hoje, é seu aniversário, foi errado da minha parte , Nós podemos ser amigos de novo ? -
- Você promete que não vai deixar de ser meu amigo , nunca ? Nunquinha da silva ? - Eu disse.
Ele estendeu o dedo minimo e disse :
- Nunquinha da silva . -
Sentou do meu lado, do bolso tirou uma pulseirinha de cordão com algumas miçangas .
Na verdade, eram duas pulseirinhas. A dele azul, a minha verde.
Ele me deu a verde , sabendo que verde eram minha cor preferida. Na pulseira havia três miçangas em cada, as miçangas eram redondas e havia letras , A E D.
- A é de Amanda , E , é da letra e mesmo , e D é de Dudu. Antes de vir pra cá, passei numa lojinha , queria comprar um presente pra você , mas eu não tinha muito dinheiro, só as moedas que juntei durante uma semana , não conseguia escolher , e a moça da loja me perguntou o que eu queria, eu disse pra ela que hoje era aniversário da minha melhor amiga , e queria um presente. Ela fez isso pra você , eu ajudei. Ela também fez um para mim , e disse que isso se chama pulseira da amizade. Você gostou ? -
- Nunca tive uma pulseira da amizade antes Dudu ..-
- Nem eu Amanda .. Mas você gostou ? -
- Sim ..- eu ri . Você pegou meu braço e amarrou , e depois amarrou a sua , eu não sabia como amarrar as pulseiras. Essa foi a nossa primeira briga ,  e foi a primeira vez que eu senti ciúmes de você.
Depois disso nós comemos algodão-doce e fomos na roda gigante ,dessa vez você se sentou do meu lado , você não falou mais com Lalá.
Nem naquele dia , nem durante o verão que ela passou por lá. Ela foi embora uma semana mais cedo do que deveria , eu achei o máximo.

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Capítulo Um

A tarde quando fomos brincar, você realmente me ensinou como jogar tazos , biloca e brincar de super herói. Eu me sentia um tanto especial porque nenhuma menina sabia brincar como um menino,bom nenhuma menina da minha cidade sabia. No final da tarde, quando estávamos exaustos de tanto brincar , no quintal da minha casa, pois a sua estava em mudanças e arrumações, eu peguei a maquininha de fazer sorvetes que havia ganhado da minha avó no natal passado e e fiz um sorvete de morango para nós , minha mãe colocou a calda de sorvete de morango e algumas guloseimas para tudo ficar melhor , e funcionou.
- Eu nunca tinha visto máquina de criança fazer sorvete antes, sabia ? -
- Aqui os meninos nunca tomam sorvete da máquina com as meninas , e eu nunca tomo sorvete com ninguém , eu não tenho amigos, você é meu primeiro, sabia ? -
E foi ai que você me olhou pela primeira vez prestando atenção , eu senti que não devia ter falado , pois agora você não iria mais querer ser meu amigo. Sua visão era de uma garota magrela de mais, com algumas poucas sardas loiras do rosto , cabelos longos , em um tom entre o ruivo e o loiro, trançado da raiz até as pontas , shorts verde limão e uma blusinha branca lisa de mangas curtas ,nos pés um all-star preto, velho com meia de bichinhos por de baixo e, ah meus óculos de grau redondinhos .
Magricela, único cabelo ruivo da escola, corpo branco de mais , sardas , óculos redondinho .
Jeito estranho , manias esquisitas e hobbies particulares .Ninguém queria ser meu amigo , eu era a criança alienígena . Você percebeu isso , mas não disse nada em relação a isso, ao invés disse :
- Por que esses garotos não tomam o sorvete das meninas , se ele é tão bom ? Eles são malucos ! -
- Talvez o delas não seja gostoso, eu não sei..-
- Bom então tive sorte de tomar um gostoso, nunca vou rejeitar um sorvete seu Amanda.Quem te ensinou a fazer isso ?-
-Minha avó tinha uma máquina antiga e quando chegou o natal ela me deu essa que é de criança , ela leu o livrinho de receitas que veio com a máquina pra mim e disse como fazer um bom sorvete.. Ela dizia que um sorvete gostoso é o melhor remédio para quando a gente está triste. Ela está no céu agora , ela tá no céu há quatro meses , desde então eu tomo sorvete todos os dias.-
- Sinto muito por sua avó . Bom então , a partir de hoje , até quando você se sentir feliz de novo, eu também vou tomar sorvete todos os dias .-
Eu realmente me espantei com a frase .
- Por que você faria isso ? -  Você riu da minha cara , eu fiquei brava , e ai você disse :
- Por que somos amigos , é isso que amigos fazem .
 " - DUDUUU , AMANDA VENHAM PARA A COZINHA - "
Nos levantamos e batemos aposta de quem chegaria primeiro , eu ganhei.
Mamãe disse :
- Eduardo sua mãe está dizendo que está na hora de ir para casa , tá bom querido ? -
- Sim Senhora Santos -
- Me chame de Andréia , Dudu.-
- Sim Senhora Andréia ! -
- Não, Dudu , só Andréia ..-
Todos nós rimos . Você foi embora e eu fui até o portão com você , você me estendeu o dedinho e disse :
- Amigos , viu ? -
Eu agarrei seu dedinho no meu , sorrindo eu disse :
-Até amanhã, Dudu! -
E cada um entrou na sua casa . Mamãe contou a papai que eu havia brincado com alguém e os dois riram muito. Nunca ninguém tinha ido brincar comigo em casa , esse foi o melhor dia da minha vida, ao menos era o que eu pensava no dia.

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Capítulo Um

Novembro , 1999

Eu tinha apenas nove anos quando te vi pela primeira vez , você se mudou para a casa da frente, pintura amarela pastel, cerquinha branca , sem muros.
Minha mãe fez uma mini cesta de boas vindas ,e toda minha família foi bem recebida em sua casa.
Era verão , você tinha onze anos .
A primeira coisa que você me disse foi :
"- Quer ver minha coleção de tazos ? -"
E eu fui. Soube mais tarde , escutando a conversa alheia de nossas mães, que seu pai havia sido enviado para nossa cidadezinha , apenas por um ano. Não entendi direito na época.
No outro dia ,na escola , houve outra surpresa , apesar de ser dois anos mais velho que o resto da turma, você foi mandado para a minha sala, houve algumas risadas de crianças maldosas , bom eu não ri.
Você logo veio e puxou uma cadeira perto da minha ,abaixou a cabeça e em silêncio ficou a manhã toda.
Quando estávamos na volta para casa, você ousou quebrar o silêncio, e ainda assim com uma voz quase inaudível, disse:
- Meu pai trabalha muito, você sabe. Mas por causa do trabalho dele , nós nos mudamos muito, o maior tempo que ficamos em uma cidade foi quando eu tinha cinco anos , até meus sete anos. Por isso sou um pouco atrasado na escola, sabia ? -
E fez-se o silêncio, após alguns minutos eu pude dizer :
- Então você não tem amigos ? - Ele olhou para mim com uma expressão de surpresa, e depois riu.
- Sim , os amigos que eu fiz , me escrevem cartas e cartões , e eu e minha mãe escrevemos para eles também .-
- Ontem eu ouvi sua mamãe conversando com a minha  mamãe, ela disse que vocês vão ficar por um ano ,- Agora sim eu tinha entedido
 - Então , se nós nos tornacemos amigos , e você fosse embora, você me escreveria cartas ? -
- Sim , se nos tornacemos amigos . -
Então parei , no meio da rua, dei meu dedo minimo para você e perguntei :
- Você gostaria de ser meu amigo ? - Você traçou seu dedo minimo no meu , e respondeu
- SIM .-
Então soltamos nossos dedos e fomos embora , eu cantava A Dona Aranha e você me acompanhava, quando chegamos até a frente de nossas casas você sorriu, eu sorri de volta .
- Vamos brincar de tazo hoje a tarde ? - Você disse .
- Eu não sei brincar disso ! - Tazo ,era coisa de menino , menina brincava de boneca .
 - Eu te ensino .-
Você deu as costas e foi embora .

                                                                       Página Um

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Por um começo de reticências ...

               "Dedico este pseudo-livro para todas as pessoas que acreditam no amor, mas principalmente aquelas que me ensinaram como amar , sendo certo ou errado ,                                                
                                                                simplismente amar."


Dedico as palavras escritas aqui as minhas mães , Landi , Eunice ,Florinda, Jeane e Denise..
                                           Aos meus pais , Sandro e Maury ..
                                                        Aos meus irmãos , Camylla , Hugo e Benício ,
                            a todos os meus Tios e Tias , Primos e Primas .
    Aos meus queridos amigos , a minha melhor amiga e irmã postiça Jéssica Dias
                                                        e  ao meu querido amor José Carlos .

                 Por um começo de reticências ,eu ofereço a vocês doses de esperança .
                                                          Saúde . E beberemos a isso.